Pela primeira vez, Brasil tem mais não-leitores do que leitores, mostra pesquisa nacional
- Pluma Editora

- 21 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 29 de out. de 2025

Nos últimos quatro anos, o Brasil perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores, segundo a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Pela primeira vez na série histórica, o número de brasileiros que não leram nenhum livro — nem impresso, nem digital — ultrapassou o de leitores: 53% da população não teve qualquer contato com livros nos três meses que antecederam a pesquisa.
Entre os que leram livros inteiros nesse período, o número é ainda mais baixo: apenas 27% da população.
Queda na leitura é generalizada
A pesquisa revelou que a diminuição do número de leitores ocorreu em praticamente todos os grupos analisados. A queda foi observada em diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade, gêneros, classes sociais, entre estudantes e não estudantes.
Apenas dois grupos etários escaparam dessa retração: crianças entre 11 e 13 anos — que lideram em percentual de leitores — e pessoas com 70 anos ou mais, cujo índice se manteve estável. O estudo inclui a leitura de materiais didáticos como parte da análise, o que influencia especialmente os mais jovens.
Região Sul ainda tem maioria de leitores
Apesar da queda nacional, a Região Sul ainda é a única onde os leitores são maioria: 53% da população declarou ter lido total ou parcialmente pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa. No entanto, isso representa uma redução em relação a 2019, quando a região registrava 58%.
No recorte por estados, Santa Catarina lidera com 64% de leitores, seguido por Paraná e Ceará, ambos com 54%. Todos esses números estão acima da média nacional, que caiu para 47%.
Interesse por leitura por prazer diminui com a idade
Outro aspecto analisado foi a motivação para a leitura. O interesse por ler por prazer diminui progressivamente conforme a idade aumenta.Entre crianças de 5 a 10 anos, 38% disseram ler por gosto. Já entre os adolescentes e jovens até 24 anos, o índice varia entre 31% e 34%.A queda é mais acentuada a partir dos 25 anos: apenas 21% dos que têm entre 25 e 29 anos apontaram o gosto pela leitura como motivador. Esse percentual cai para 19% entre os de 30 anos e estabiliza em 17% para os brasileiros com mais de 40 anos.
Sala de aula perde espaço como ambiente de leitura
Um dado que chama atenção na série histórica da pesquisa é a queda constante no número de pessoas que leem livros na escola.Em 2007, 35% dos entrevistados citavam a sala de aula como local de leitura. Agora, em 2024, esse número caiu para apenas 19%, o menor já registrado.A residência, por outro lado, segue como o principal ambiente para a prática da leitura, mencionada por 85% dos leitores.
Metodologia e destaques da nova edição
Realizada entre 30 de abril e 31 de julho de 2024, a pesquisa entrevistou 5.504 pessoas em 208 municípios brasileiros. A coleta foi conduzida pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), com entrevistas domiciliares presenciais, utilizando tablets para registrar as respostas.
Com metodologia orientada pelo CERLALC (Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe), o estudo mantém sua consistência desde 2007, o que permite a comparação histórica dos dados.
Entre as novidades da 6ª edição, estão a inclusão de dados sobre:
Quantidade de livros infantis presentes nas residências;
Percepção das crianças entre 5 e 13 anos sobre os hábitos de leitura de seus pais;
Comparação entre a eficácia da leitura em papel e em meio digital, no que diz respeito à atenção e compreensão.
Relevância para políticas públicas
Para os responsáveis pelo estudo, os resultados são um alerta. “É preocupante perceber o enfraquecimento da leitura nas salas de aula”, afirmou Zoara Failla, coordenadora da pesquisa.
Segundo Sevani Matos, presidente do Instituto Pró-Livro (IPL), o levantamento é essencial para o planejamento de políticas públicas de incentivo à leitura. “Retratos da Leitura no Brasil se consolidou como uma ferramenta crucial para compreendermos os desafios culturais do país”, declarou.
Sobre a pesquisa
O estudo é conduzido pelo Instituto Pró-Livro, com patrocínio do Itaú Unibanco, via Lei Rouanet, e apoio da Fundação Itaú, Abrelivros, Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).
Desde 2007, a pesquisa oferece um panorama detalhado sobre o comportamento leitor da população brasileira a partir dos 5 anos de idade, incluindo aspectos como:
Frequência e motivações para a leitura;
Gêneros e autores preferidos;
Papel das escolas, bibliotecas e família na formação de leitores;
Acesso a livros físicos e digitais;
Leitura em diferentes plataformas e contextos sociais.
Onde você está nesse cenário?
Diante desse panorama, fica a pergunta: onde você está nessa estatística? Você faz parte dos 47% que leram recentemente, ou dos 53% que se afastaram dos livros?
Mais do que um número, a sua relação com a leitura pode transformar realidades — inclusive a do país. E essa mudança não se limita a virar páginas. Ela passa também por incentivar outras pessoas a lerem, compartilhar histórias, formar leitores ao seu redor.
Você pode ler mais, sim. Mas também pode escrever, contar suas histórias e experiências. Sua história pode ser a porta de entrada para novos leitores nessa estatística.
A cultura de leitura não nasce sozinha — ela é cultivada e instigada! Seja você um agente nessa transformação!








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