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Mercado editorial brasileiro cresce pouco em 2024 e aposta em inovação e retorno às livrarias físicas

Atualizado: 29 de out. de 2025


Jovem escolhendo Livro na Livraria Mercado Editorial Brasileiro


O setor editorial brasileiro encerrou 2024 com um desempenho modesto, registrando um crescimento real de apenas 0,2% no faturamento, segundo dados divulgados pela Pesquisa Produção e Vendas e Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Nielsen BookData em parceria com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).


Apesar do avanço tímido, alguns segmentos específicos mostraram evolução significativa, especialmente o de Obras Gerais, o segmento Religioso e o mercado digital, que ajudaram a puxar os resultados do setor para cima.



Obras Gerais e livrarias físicas impulsionam resultado


O segmento de Obras Gerais teve destaque positivo, apresentando um crescimento de 9,2% no faturamento bruto. Mesmo descontando a inflação, as vendas ao mercado cresceram 4,2% em termos reais. Segundo a economista Mariana Bueno, responsável pelo estudo, esse desempenho foi possível graças à recuperação dos preços dos livros dentro do segmento.


Outro ponto relevante foi o desempenho das livrarias físicas, que cresceram 2,2% como canal de distribuição. O dado contrasta com a leve retração do e-commerce, evidenciando uma mudança no comportamento do consumidor e na estratégia das editoras.


Para Gerson Ramos, diretor comercial da Editora Planeta, essa mudança tem relação direta com as decisões tomadas nos últimos anos: “Muitas editoras concentraram seus esforços no comércio eletrônico. Aquelas que mantiveram essa aposta provavelmente enfrentaram estagnação ou queda em termos reais”, afirmou. Ramos destacou ainda que a Planeta teve resultados acima da média por continuar investindo em livrarias físicas, especialmente nos lançamentos, área em que, segundo ele, o canal físico se mostra mais eficaz do que o online.



Distribuidores ainda pouco relevantes


Apesar das boas notícias pontuais, Ramos chamou atenção para a baixa representatividade das distribuidoras no panorama atual do mercado editorial. Segundo ele, será difícil projetar melhorias mais consistentes se não houver uma redefinição do papel das distribuidoras na cadeia produtiva. “É impossível que as editoras atendam à diversidade do varejo brasileiro sem um novo modelo de colaboração com os distribuidores. Sem isso, as vendas continuarão perdendo valor real”, alertou.



Queda na compra governamental preocupa editoras


Para Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, o cenário de 2024 foi desafiador, mas as editoras cumpriram seu papel de promover a leitura no país. “Mesmo com menos dinheiro circulando e uma disputa cada vez maior pelo tempo dos leitores, conseguimos manter nosso compromisso com o livro”, afirmou.


No entanto, ele critica a queda significativa na compra de obras paradidáticas pelo Governo Federal. Segundo Palermo, a situação deve piorar, já que o cenário para 2025 também aponta para cortes similares, inclusive no Distrito Federal.



Didáticos, CTP e o avanço do digital


As vendas de livros didáticos ao governo impactaram fortemente os resultados de 2024. Enquanto 2023 foi ano de compras voltadas ao Ensino Médio — segmento com alto índice de evasão escolar —, em 2024 os investimentos se voltaram à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental I. Além disso, o governo também realizou pagamentos referentes ao chamado Objeto 2, o que ajudou a manter o faturamento no patamar esperado, segundo Mariana Bueno.


Já o subsetor de CTP (Científicos, Técnicos e Profissionais) teve um crescimento nominal de 3,3%, embora o ajuste de preços ainda esteja abaixo da inflação. Este segmento tem migrado gradualmente para o formato digital e viu crescimento das livrarias exclusivamente virtuais.


Nesse cenário, o conteúdo digital aparece como um dos destaques da pesquisa, com aumento nominal de 21,6%. O crescimento é impulsionado, principalmente, pelo avanço de bibliotecas virtuais e plataformas educacionais, que vêm ganhando espaço tanto no setor privado quanto no público.



Plataformas digitais e tecnologia educacional em alta


Para Roberta Perazzo Campanini, diretora de marketing, produtos e experiência do cliente da FTD Educação, o uso de plataformas digitais nas escolas vem se expandindo além do Ensino Médio, chegando agora ao Ensino Fundamental e à Educação Infantil, inclusive nas redes públicas municipais.


Ela acredita que a tendência vai continuar nos próximos anos, impulsionada por fatores como:

  • melhoria na infraestrutura digital das escolas;

  • adoção de tecnologias emergentes, como inteligência artificial generativa;

  • formação continuada de professores.


A FTD tem apostado alto nesse processo. Segundo Campanini, a empresa investiu mais de R$ 30 milhões em mais de 70 projetos de inovação digital, com foco em melhorar a experiência educacional de alunos e professores.


Ela também observa uma mudança importante nos canais de distribuição: hoje, escolas e colégios têm peso semelhante ao das livrarias em volume de vendas. Ao mesmo tempo, cresce o uso de marketplaces e lojas virtuais próprias das editoras, que oferecem conveniência e segurança ao consumidor. No segmento de sistemas de ensino do setor privado, a FTD já detém cerca de 20% de participação.



Livros como refúgio e busca por equilíbrio


A CEO do Grupo Girassol, Karine Pansa, que também foi presidente da International Publishers Association (IPA), vê no desempenho dos segmentos de Obras Gerais e Religiosos um reflexo do momento vivido pelas pessoas. Para ela, o público tem procurado nos livros acolhimento, conforto e momentos de pausa e reflexão.

Karine acredita que essa busca por equilíbrio e bem-estar deve continuar influenciando o mercado editorial. “Vejo isso se refletindo até mesmo no crescimento silencioso, mas constante, dos livros de colorir, que cada vez mais ocupam espaço nas prateleiras e na rotina dos leitores”, concluiu.

 
 
 

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